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domingo, 22 de agosto de 2010

Brasil, mostra a tua cara


Cazuza já cantava: "Brasil, mostra a tua cara. Quero ver quem paga pra gente ficar assim." Essa música não foi feita no período do governo Lula. Porém, se tivesse, o questionamento nela implícito poderia ser respondido com uma retrospectiva deste governo.

"Quem paga pra gente ficar assim" são em sua maioria empresários e políticos corruptos que se beneficiam pela impunidade que as nossas leis proporcionam. Quem não se lembra de Daniel Dantas, o dono do banco Oportunity acusado de diversos crimes contra o tesouro público? E de todos os políticos envolvidos no mensalão do PT e no mensalão do DEM? Pior do que presenciar toda essa sujeira foi ouvir do nosso Excelentíssimo Presidente da República que ele não "sabia de nada". Ele é ou não é o presidente da república?

Ao pensarmos em tudo isso nosso coração fica enraivessido, mas nossas mãos se sentem atadas pelas correntes da burocracia. No entanto, há um jeito de nos tornarmos livres dessas correntes. É preciso nos conscientizarmos na hora de votar e na hora de cobrar os nossos direitos. Só assim poderemos ter orgulho de falar "Brasil, mostra a tua cara."

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A nossa democracia

A democracia teve suas primeiras manifestações em Atenas, onde os intelectuais da época discutiam os problemas da cidade e achavam soluções de forma "democrática" nas Àgoras. Porém, essa "democracia" de Atenas não era a mesma dos dias atuais. Para que chegássemos a esse ponto de evolução a população teve que lutar. Passando por movimentos como o feminista e as "Diretas Já" adiquirimos direitos como o voto feminino e direto.

Todos esses movimentos reivindicaram o direito ao voto: o mais importante instrumento da população dentro do cenário político. O voto é fundamental para que a população se sinta mais ativa dentro da sociedade e possa realmente desenvolver um sentimento nacionalista.

Ao longo da história pudemos perceber que em muitos jovens esse sentimento nacionalista se fundiu com a rebeldia e a irreverencia tipicamente observadas nessa fase da vida e originou as mais marcantes manifestações pelos direitos políticos, como a Revolução Constitucionalista de 1932 feita na cidade de São Paulo. Nessa revolução ocorrida durante o governo Vargas, um grupo de jovens morreu protestando contra a intolerável falta de constituição no nosso país. Esse fato deu força a outros jovens que não se intimidaram e criaram o movimento conhecido como MMDC. Com as iniciais dos jovens cruelmente assassinadoscomo grito de guerra, a população foi as ruas e exigiu a promulgação de uma nova constituição. O movimento foi violentamente reprimido, porém a nova constituição foi feita, mostrando que o jovem também tem o poder de opinar dentro da política e de mudar o modo como ela é feita.




Contudo, não podemos esquecer de que o voto só é um instrumento forte nas mãos dos que sabem utilizá-lo. É preciso votar conscientemente e cobrar de todos os eleitos que suas promessas sejam cumpridas. É preciso honrar toda a luta de nossos antepassados e não deixar de lembrar que a democracia não é feita somente pelos políticos, mas por toda a sociedade.
Inspirado na proposta de redação do ENEM 2002

domingo, 1 de agosto de 2010

A história das migrações




As primeiras migrações da história ocorreram na pré-história, durante o período paleolítico. Nessa época, o homem era nômade e dependia da caça e da coleta para sobreviver. A agricultura só surgiu no neolítico, quando começaram a surgir também as primeiras civilizações como a Mesopotâmia e o Egito. Inclusive um dos fluxos migratórios mais intensos veio tempos depois com uma dessas civilizações conhecidas como Roma. Nesse império as grandes migrações foram reflexo de dois acontecimentos: as Guerras Púnicas (contra os cartagineses) e a crise do império.

No Brasil, houve grandes levas de imigração em algumas épocas. Entre meados do século 19 e início do século 20 o governo incentivou a vinda de imigrantes para o sul do Brasil para que o território fosse ocupado e o Brasil não o perdesse para as nações vizinhas. Em 1870, houve novamente o incentivo do governo para que os europeus viessem para substituir a mão-de-obra escrava nas lavouras cafeeiras paulistas. Além disso, as Grandes Guerras sempre trouxeram pessoas a procura de refúgio nas pacíficas terras brasileiras.

As migrações internas também são muito importantes para uma boa análise dos fluxos migratórios brasileiros. Um grupo muito conhecido por suas migrações para São Paulo são os retirantes nordestinos. Eles vêm para a terra da garoa fugindo da seca e à procura de melhores condições de vida e trabalho. Infelizmente muitos deles são surpreendidos pela falta de oportunidade de uma cidade tão competitiva como essa.

Porém não é só de imigrações que vive o Brasil. As emigrações também são muito fortes. Até meados dos anos 1970 só se aventuravam fora do país filhos e netos de imigrantes que tinham alguma oportunidade de emprego.Porém, com o endurecimento da ditadura militar em 1964 esse cenário começou a mudar, forçando vários brasileiros a deixar seu país de origem.

Hoje em dia, mesmo vivendo em um regime democrático, temos uma forte emigração de brasileiros para a Europa e principalmente para os Estados Unidos. Em sua maioria, iludidos por promessas de riqueza e fama na América, esses brasileiros vão para lá ilegalmente através de coiotes e passam a viver a margem de uma sociedade muitas vezes xenófoba.

Por último temos o fenômeno dekassegui, nome dado aos trabalhadores estrangeiros que vivem no Japão. São geralmente filhos (nisseis) e netos (sanseis) de imigrantes japoneses que vão para lá procurar por empregos em fábricas ou até no comércio japonês.

Tudo isso mostra que os fluxos migratórios são uma complexa teia feita das mais diversas experiências de vida e sonhos de pessoas que vão e voltam pelo mundo sem medo do que as aguarda do outro lado.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Séculos de urbanização


O conceito mais primitivo de cidade surgiu na Idade Média com os feudos, onde pessoas se aglomeravam dentro de fortificações com um objetivo em comum: prosperar. Ao longo do tempo, esses conglomerados foram se tornando cada vez mais complexos e dinâmicos, sendo assim impossibilitados de continuar dentro de fronteiras físicas. Nesse ponto surgem os primeiros indícios da urbanização, que a partir daí teve seu crescimento exponencial ao longo de muitos séculos.

Hoje em dia, já podemos perceber o mundo urbano por toda a parte. Seu dinamismo característico está registrado em cada carro que passa pela avenida Paulista na famosa "hora do rush". Sua complexidade pode ser vista em cada mapa do metrô de Nova York ou Londres. Suas infinitas redes de comunicação podem ser facilmente precebidas nas novidades tecnologicas anunciadas diariamente nos jornais e revistas. Sua diversidade de culturas e credos pode ser captada em uma rápida olhada nas diversas mesquitas, igrejas e templos espalhados pela cidade.

É importante lembrar que essa última característica das cidades modernas vem se mostrando um dos principais alicerces de uma cultura que busca incessantemente a tolerância com as diferenças entre povos e raças. Tendo, essa diversidade, o papel de criar as condições necessárias para atingirmos a prosperidade objetivada por nossos antepassados feudais a séculos atrás.



Inspirada na proposta de redação Unicamp - 2004
Link: http://www.elitecampinas.com.br/gabaritos/unicamp/unicamp_04_fase1_ELITE.pdf

segunda-feira, 12 de julho de 2010

30 anos sem Vinicius de Moraes


Sexta feira, 9 de julho de 2010, foi feriado em São Paulo devido à comemoração pela Revolução Constitucionalista de 1932. Porém, este não foi o único fato marcante lembrado neste dia. Em 9 de julho de 1980, a 30 anos atrás, nos deixava um dos maiores poetas e compositores musicais de toda a história brasileira: Vinicius de Moraes, também chamado carinhosamente por seus amigos de 'Poetinha'.
Essa incrível mente morreu aos 67 anos nos deixando obras literárias e músicais como o famoso poema " Soneto de Separação" e a mundialmente conhecida "Garota de Ipanema". Em sua vasta obra, Vinicius declarou o seu amor pelos diferentes tipos de mulheres. Essa característica também se refletiu na sua vida, durante a qual se casou por nove vezes, e sempre viveu cada casamento como se fosse o último.

Biografia


Formou-se em Direito, mas não exerceu a advocacia. Trabalhou como redator, foi crítico de cinema durante algum tempo (combateu o cinema falado), e foi até censor cinematográfico.
Em 1943 ingressou na carreira diplomática. Serviu em Los Angeles e em Paris, onde era mais encontrado nos bistrôs (em que tomava bons vinhos) do que na embaixada onde dava expediente. Nesse tempo nasceu o apelido carinhoso, Poetinha.
Apesar de notória aversão ao trabalho burocrático, exerceu o ofício até ser aposentado, compulsoriamente, pelo AI-5, em 1968. Ao perder o emprego, porém, já se dedicava para a Música Popular Brasileira. Participou do surgimento da bossa nova e era o autor de clássicos como a Canção do Amor Demais, A mulher que passa e Eu sei que vou te amar.

Curiosidade


Um fato curioso ocorreu no dia de sua aposentadoria como diplomata.
Vinicius encontrava-se em Portugal onde realizava um concerto. Após este espetáculo, estudantes salazaristas estavam aglomerados na porta do teatro para protestar contra o poeta. Avisado disto e aconselhado a se retirar pelos fundos do teatro, o poeta preferiu enfrentar os protestos e, parando diante dos manifestantes, começou a declamar "Poética I". Então, um dos jovens tirou a capa do seu traje acadêmico e a colocou no chão para que Vinicius pudesse passar sobre ela — ato imitado pelos outros estudantes e que, em Portugal, é uma forma tradicional de homenagem acadêmica.




Poética I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.



Repercussão


Por causa de sua importância tanto no cenário artístico como em sua vida pessoal, sua morte teve uma repercussão de âmbito internacional. Temos aqui alguns dos depoimentos de amigos e admiradores de Vinicius logo após sua morte:


"Ele era perfeito, senhor absoluto de sua arte e soube interpretar, de maneira fina, o sentimento do seu povo", falou ao Estado o também poeta Carlos Drummond de Andrade.
"Eu o conhecida há quase 50 anos. Era como se fosse meu irmão mais moço. Vinícius ocupa um papel enorme na poesia e na música popular", destacou o historiador Sérgio Buarque de Hollanda.
O escritor Antonio Callado lamentou, "estou bastante chocado, pois há pouco mais de um mês estive com ele e pareceu-me bem de saúde".
Sua musa Heloísa (Helô Pinheiro), a moça que inspirou Garota de Ipanema, a mais conhecida de suas composições, foi ao enterro e declarou à reportagem "A música silenciou. Ele representava o amor e o carinho, tudo o que uma pessoa pode ter de bom".


Descoberta


Mesmo depois de tantos anos, Vinicius ainda nos surpreende. O herdeiro de Lúcia Proença, ex-mulher do poeta, entregou a duas de suas irmãs manuscritos de uma música inédita do Poetinha. Intitulada "Silêncio", a música contêm versos como estes: "É o amor que te fala / É o amor que se cala / E que despetala / A flor do silêncio". A canção foi entregue a um dos parceiros de Vinicius, Edu Lobo, que se comprometeu a terminá-la.




Não se esqueçam de que um dos livros da lista da Fuvest é Antologia Poética, de Vinicius de Moraes; e como este ano fazem 30 anos de sua morte, têm grandes chances dele ser BEM cobrado na prova.


E eu acabo esse post deixando uma foto de Vinicius de Moraes (centro) com dois de seus melhores amigos e parceiros profissionais: Chico Buarque de Hollanda (esquerda) e Toquinho (direita).

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Rebeldes sem causa


A rebeldia sempre foi relacionada aos movimentos juvenis e às inovações no jeito de pensar e de agir que esses movimentos propõem. Em cada comunidade essa rebeldia fez uma marca diferente, ajudando-as a formar sua identidade cultural. Mas, e hoje em dia. Onde estão os rebeldes dos tempos modernos?

Ao procurarmos os rebeldes do século XXI nos deparamos com bandas denominadas EMOs (Cine, Restart, NxZero, entre outras) ou com meninos conhecidos como Colírios da Caprícho (desculpe, eu não sei o nome de nenhum deles - para mim são todos iguais). Mas, dês de quando usar franjas nos olhos, calças coloridas e cantar músicas "melosas" é considerado rebeldia? Dês de quando posar para a capa de uma revista sem camisa é rebeldia?

Muitos podem dizer que hoje em dia não há mais pelo que reivindicar. Não estamos em uma guerra mundial, não estamos sendo governados por um ditador, nem estamos vivendo o apharteid. Porém, temos outros problemas tão graves quanto esses vividos por nossos pais e avós. A guerra de hoje não é mundial, é uma guerra diária contra a violência urbana presente não só nas grandes metrópoles, como nas pequenas cidades interioranas. O governo de hoje não é ditatorial, mas é tão corrupto quanto ele. O apartheid se foi, mas o preconceito racial ainda reina entre nós.

A nossa rebeldia deveria estar fincada nessas injustiças, e não em futilidades momentâneas. Pois não existem rebeldes sem causa. As causas nos rodeiam, basta termos coragem para enfrentá-las e combatê-las com nossos punhos juvenis e nossas mentes idealistas. Só assim conseguiremos transformar um mundo fútil em um mundo útil.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A face de um político

Hoje eu acordei mais ou menos umas oito horas da manhã e fui ao banheiro lavar o meu rosto. Enquanto estava praticando esse ato tão rotineiro na minha vida, comecei a pensar em como um político poderia se ver nessa situação. E começei a imaginar uma história mais ou menos assim:

São oito horas da manhã e um dispertador toca, acordando mais um político brasileiro. Ele levanta da cama ainda ensonado e vai ao banheiro, como todos os dias, para lavar seu rosto. Após tirar de sua face todo o cansaço de uma noite mal dormida, ele se olha no espelho. Mas uma coisa muito estranha acontece: ele não consegue reconhecer aquela pessoa refletida.
Depois de alguns minutos olhando para aquela imagem estranha, ele tenta se lembrar de seu rosto quando jovem. Era um rosto idealista, um rosto que não se contentava com o que via ao seu redor. Mas, ao avançar no tempo, o nosso político vê que ele foi mudando aos poucos. E ele se lembra que aquele rosto jovem foi sendo seduzido por uma corrupção tão envolvente que nem o mais nobre dos homens conseguiria resistir. Ao olhar novamente para o espelho o político reconhece a imagem refletida: uma face coberta de mentiras e que havia sido enganada pela própria cobiça.
Depois de algum tempo de contemplação ele percebe que não conseguirá mudar aquele rosto, pois em cada ruga e em cada orifício já se pode ver impregnada a mentira e a ambição desmedida. Então ele tira a camisa que está vestindo e cobre o espelho.
Com muita dificuldade ele vai se arrumar para mais um dia em um trabalho que lhe dá dinheiro, propriedades e muitos outros bens materiais, mas que não lhe dá o mais importante: dignidade.